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DELEGADO PLÍNIO CONTRA A OKW

Uma aventura do delegado Plínio.


Imagem de Freepik.


1. O DELEGADO PLÍNIO COME CHINEQUE


Plínio chegou à padaria Ao Chineque Platonense no intervalo das aulas do Grupo Escolar de Platônia, e uma chusma de crianças se amontoava no balcão para comprar chineques. Eles eram cuidadosamente embrulhados em um papel escuro e entregues para as crianças que imediatamente rasgavam o embrulho e começavam a comer. Alguns levavam dois ou mesmo três pãezinhos doces. Algumas crianças se serviam de uma garrafa de gasosa Cini, que dividiam entre si, sentados nas mesas da padaria. Cinco patacas por 4 chineques e uma gasosa. Ele se dirigiu à máquina de café, onde Ana Lúcia o aguardava sorridente. Seus olhos negros sempre brilhavam. Tornara-se um hábito passar no Ao Chineque Platonense e tomar um café preparado pela mais simpática barista da cidade. Acompanhado de um sonho de nata. Cabelos negro, lisos, presos em um rabo de cavalo, um nariz arrebitado, os dentes brancos perfeitos. Tudo nela era perfeito.


Por ter resolvido o caso dos assassinatos de Maneco e Marcos tão rapidamente, a cidade o cumprimentava quando caminhava em direção à delegacia. Plínio, com o espírito leve, relaxara e deixara de trabalhar 14 horas por dia. E, sabendo que Ana Lúcia o esperava atrás do balcão, vestia-se cuidadosamente, o terno bem passado, a gravata acertada na camisa branca impecável. Não havia dúvida. O delegado estava flertando com a barista sorridente. Que por sua vez flertava com ele. Todos na delegacia sorriam ao ver o delegado, antes desleixado, vestir-se com elegância. E a cidade acompanhava o romance, interessada em seu desfecho.


Do outro lado da Praça da República, o carroção dos Kowalsky estava estacionado, vindo da Colônia Santa Bárbara, carregado de galinhas vivas, ovos, frutas e verduras. Os fregueses habituais se amontoavam em torno do carroção, menos para as compras do que para o diz-que-diz-que do dia. Ewa Kowalsky, uma polaca grande e forte, embrulhava pêssegos em sacolas plásticas e recebia as patacas da freguesia. Um quilo de pêssegos, cinco patacas. Esmeralda Feder, a dona do armarinho Carretéis de Platônia, encomendava pierogues para o sábado. Mas estava de olho no delegado, que saíra da padaria. Ela comentou:


- Como está elegante. Nem parece o molambo que chegou em Platônia.


Imediatamente, as irmãs Meri e Mari começaram a cantar:


- É o amor, que mexe com minha cabeça e me deixa assim/Que veio como um tiro certo no meu coração/Que derrubou a base forte da minha paixão.


Algumas das mulheres começaram a cantar juntos. Meri e Mari dançavam uma coreografia muitas vezes ensaiada enquanto cantavam. Eram as artistas da cidade. Todas riram.


O delegado cumprimentou o grupo, de longe. Ele sabia do que estavam falando, mas não se importava. Era verdade, ele estava amando. Ana Lúcia era o crush do momento. Até quando? Até o próximo crush.


Ao chegar na delegacia notou um carro estacionado. Placas de Curitiba. Na grande sala de entrada, três homens o aguardavam. Dois deles conversavam animados com o pessoal. O terceiro era o velho tira conhecido do delegado Plínio, Ligeirinho, com seu ar taciturno. O delegado geral cumprira a promessa e enviara reforços para Platônia. Com três meses de atraso. O caso dos assassinatos havia sido resolvido, mas mesmo assim enviara a equipe.


Ligeirinho falou por todos. Sem cumprimentar o delegado, disse:


- O DG nos mandou para ajudar, chefe.


Agora ele tinha dois homens do gatilho na delegacia, Mad Leo e Ligeirinho. Gatilhos rápidos. Ligeirinho tinha a vocação de matador, e farejava encrenca. Ele pedira para vir. Mas o fato do delegado geral ter concordado com sua vinda era mais significativo. Ele também farejava encrenca. O caso fora encerrado, mas ele sabia que havia muitas pontas soltas. E Plínio era seu peixe. Não o deixaria na mão.


- O chefe mandou o senhor ir lá o quanto antes.





Esta é uma obra de ficção. Os leitores desavisados que se dispuserem a ler (por sua própria conta e risco) estejam advertidos que este Blog não se responsabiliza pelos desatinos do autor. Este suposto romance será publicado em capítulos toda terça-feira. Qualquer semelhança com fatos e pessoas é mera coincidência e não poderá ser imputado ao blog qualquer responsabilidade. A publicação poderá ser interrompida a qualquer momento, caso o autor morra, se suicide ou seja internado por insanidade mental. (Nota do Editor).


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